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Quem aguenta tanto exibicionismo nas redes sociais? PDF Imprimir E-mail


A ostentação – material e de felicidade – virou uma praga virtual

Por: MARCELA BUSCATO, COM ISABELLA CARRERA

Quem nunca postou no Instagram, a rede social de imagens, uma foto da praia ou da piscina para cutucar os colegas confinados sob a luz fluorescente do escritório?

Quem nunca atualizou sua localização no Facebook para mostrar o endereço do restaurante badalado? 

Um exame de consciência, que nem precisa ser minucioso, revelará que, sim, muitos de nós já incorremos em um (ou dois, ou três...) ataque de exibicionismo virtual. Mesmo quem passa incólume pela tentação conhece (um ou vários) amigos que não resistem em exibir a última viagem, a noite divertidíssima ao lado dos amigos, o filho mais encantador do mundo, as flores enviadas pelo melhor dos maridos. A ostentação – material e de felicidade – virou uma praga virtual.

O comportamento já ganhou até apelido. Quem se autopromove é chamado de bragger, uma palavra de origem inglesa que significa algo como “fanfarrão”. E não adianta se gabar e tascar a hashtag #bragger. A admissão da culpa não é desculpa, nem protege contra o ressentimento: uma pesquisa feita por um site de compras do Reino Unido sugere que a principal razão para usuários de redes sociais excluírem alguém de sua lista de amigos é o exibicionismo. Quase 70% dos 820 entrevistados disseram ter encerrado uma amizade virtual por dor de cotovelo.

A mania de se gabar virtualmente é tão ostensiva que já despertou a atenção da ciência. Começam a aparecer os resultados de uma série de estudos destinados a entender por que as redes sociais podem despertar nossos piores sentimentos – de soberba a inveja – e os efeitos de remoê-los em velocidade 4G.

INSTANTÂNEOS

Imagens de viagens, diversão e alegria em família. Esse tipo de ostentação só causa inveja

Pesquisadores da Universidade Humboldt, em Berlim, entrevistaram 357 universitários e descobriram que o principal sentimento despertado pela vida virtual é a inveja. Quase 30% relataram nutrir esse sentimento ao ver, no Facebook, posts sobre atividades de lazer dos amigos e indícios de sucesso de qualquer espécie (acadêmico, profissional, sexual). Mesmo os exibidos sentem inveja. Cerca de  20% afirmaram chatear-se por sentir que sua própria ostentação não é notada suficientemente pelos amigos.

A percepção de ser ignorado cria um círculo vicioso: confrontados com a soberba alheia, os usuários das redes sociais podem adotar atitudes de autopromoção ainda mais intensas, suscitando inveja e, consequentemente, mais exibicionismo. “Há muitas semelhanças entre os usuários de uma rede social: amigos em comum, mesma formação e origem cultural”, diz Hanna Krasnova, uma das autoras da pesquisa. “Os estudos sugerem que as pessoas tendem a invejar gente parecida com elas.”

O psicólogo americano Ethan Kross, da Universidade de Michigan, conseguiu medir as consequências desse círculo de ciúme virtual.

Ele acompanhou por duas semanas usuários do Facebook e percebeu que, quanto mais tempo passavam conectados, mais insatisfeitos com a própria vida diziam se sentir.

O efeito era mais pronunciado entre os voluntários que encontravam pessoalmente os amigos com frequência. “Ainda não temos uma boa explicação para essa associação e exploraremos alternativas em outros estudos”, diz Kross. Uma das possibilidades: quem mantém uma relação próxima com os amigos na vida real talvez seja mais atento às pessoas e, por isso, perceba com clareza quando alguém está se gabando. O resultado é que sofrem mais: de inveja e de vergonha alheia.

O advogado Cássio Mosse, de 28 anos, diz cruzar frequentemente com amigos com vocação para bragger.

Há aqueles que fazem questão de contar para todo mundo onde estão naquele momento (#partiuacademia, #bomdiapraia). Outros chegam a cruzar o limite entre realidade e ficção na tentativa de impressionar. Mosse diz que um conhecido tirava fotos com roupas que não comprara, dentro do provador das lojas, para posar de bem vestido.

Ele diz que avisa os amigos cujo exibicionismo passa dos limites do que ele considera tolerável. Mas precisa ser um comentário sutil, para o amigo não se ofender. “Um deles publicava muitas fotos de comida, e eu disse, brincando, que pararia de ver porque não queria ficar com fome”, diz Mosse. Ele excluiu  de sua lista conhecidos que abusam das postagens para causar inveja. “No fundo, a pessoa quer mostrar para o mundo quem ela gostaria de ser”, diz Mosse.

Por trás desse impulso, aparentemente mesquinho, há uma necessidade muito humana. “Buscamos ser aceitos”, diz a psicóloga Luciana Ruffo, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mas a versão editada de nossos melhores momentos pode ter o efeito contrário e nos afastar do grupo. “As pessoas acham que uma frase ou uma foto resumem a vida de alguém. Isso não é verdade”, diz Luciana.

Fonte: Época 

 

 
   

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