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Fiscontal The accounting as a source of resistance to the economic crisis SS Tap Arq Fisco


O peso que a indústria carrega PDF Imprimir E-mail


Além das velhas pragas da burocracia, da carga tributária e da legislação trabalhista, há novos obstáculos como os custos da energia e o crescimento magro da produtividade

Por: Cláudio Gradilone

A expressão “década perdida” refere-se frequentemente aos anos 1980, quando o ajuste da economia brasileira a um mercado internacional adverso e com juros em franca elevação cobrou caro em termos de crescimento e investimentos estatais. No entanto, um estudo internacional da consultoria americana Boston Consulting Group, divulgado no fim de abril, mostra que outra década pode, silenciosamente, ter se perdido. Segundo o estudo, entre 2004 e 2013 a competitividade foi duramente afetada pela alta dos salários e dos insumos. Em 2004, o custo médio da indústria brasileira era 3% menor que o da americana.

Dez anos depois, produzir um manufaturado aqui tornou-se, em média, 23% mais caro do que elaborá-lo nos Estados Unidos. As razões são bem conhecidas. Algumas, como a estrutura tributária, a burocracia estatal e a bizantina legislação trabalhista, são tão antigas que nem sequer merecem ser discutidas. Outros fatores, porém, são mais modernos e vale a pena submetê-los a um exame mais apurado. Uma das principais causas é a elevação do salário real, que avançou 39% em média nesse período e mais de 45% no caso específico da indústria. Nem mesmo o mais tacanho dos reacionários poderia condenar uma elevação dos salários.

Melhorar a remuneração do trabalhador movimenta a economia e atenua as desigualdades da distribuição de renda. No entanto, essa correção teria de ser acompanhada de um aumento da produtividade do trabalhador industrial e, nesse aspecto, os números da indústria são tenebrosos. Em dez anos, a produtividade média de cada operário cresceu apenas 3%. Esse atraso afeta primeiro a participação do produto brasileiro no mercado externo, o que compromete as exportações. Em seguida, os efeitos começam a ser sentidos aqui dentro, elevando o déficit na balança comercial e provocando, no longo prazo, um sucateamento da indústria.

Isso pode ser notado nos dados mais recentes divulgados pelo IBGE na quarta-feira 7, quando o instituto demonstrou que a produção industrial cresceu apenas 0,4% no primeiro trimestre de 2014 ante o mesmo período de 2013. Parte desse número fraco deve-se a uma malvadeza da estatística. A metodologia de cálculo foi revisada, o que ampliou o crescimento registrado em 2013 de 1,2% para 2,3%. No entanto, o número maior indica uma base de cálculo mais elevada, o que deverá se refletir em números mais modestos no corrente ano. Sutilezas estatísticas à parte, é inegável que um crescimento de 2,3% na produção industrial é muito melhor do que um crescimento de 1,2%.

Tampouco é inegável que ambos os percentuais são baixos. Além da alta dos custos da mão de obra, outro insumo essencial, a energia, também tem sido fonte de dores de cabeça para os empresários. Pelo estudo do Boston Consulting Group, nos últimos dez anos o custo da eletricidade para a industria cresceu 90%, e os preços do gás avançaram 60% em termos reais. Enquanto os Estados Unidos revitalizam sua indústria por meio da energia barata do xisto e o México rompe as amarras de sua economia com a ferocidade de um guerrilheiro zapatista imbuído do espírito empreendedor, a indústria brasileira caminha a passos lentos, vergada pelo peso de velhos e novos entraves à produção.

Fonte: ISTOÉ Dinheiro 

 

 
   

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